Homem com tempo, homem com dinheiro

Existe um episódio de Lost que me marcou muito, não pelo conteúdo em sim, mas pelo nome e pela mensagem que o episódio passa. Não querendo discutir se o final de Lost foi honesto ou não, mas esse episódio, ou melhor, o título desse episódio, fica para sempre nas minhas lembranças.

O episódio se chama “Man of Science, Man of Faith” (Homem da Ciência, Homem da/de Fé – tradução livre).  Se eu não estou enganado, pois faz uns anos já que assisti (anos atrás assisti novamente), o episódio traça a antítese entre as ideias e objetivos de um Homem da Ciência (no episódio em tela, o dr. Jack Shephard – médico) e o John Locke (no caso, o Homem da Fé – um paraplégico que estava em uma infinita busca da sua “cura”).

Apenas para fazer uma introdução meio que filosófica, e trazendo para os dias atuais, e as questões econômica atuais, podemos inferir essa dicotomia da seguinte maneira: o homem com tempo x o homem com dinheiro.

Vamos tentar traçar as características de cada um, sob as seguintes ótica: tempo = dinheiro? Quem mais dinheiro tem, menos tempo tem? e É possível ter dinheiro e tempo simultaneamente?

O homem com tempo

O homem com tempo é aquele que possui um emprego justo, que não toma mais que oito ou nove horas diárias. É o homem que possui um salário condizente com seu emprego, digamos, médio. Ele possui uma casa alugada e família. E todos os dias chega em casa antes de anoitecer. Se diverte e se distrai no conforto do seu lar com seus familiares. Não estressa muito. Possui uma poupança pequena, porém seu salário dá para pagar tranquilamente as contas e ainda sobra para um mimo ou outro de vez em quando.

Aos finais de semana ele nem fica perto do celular nem dos emails, pois sabe que nada urgente no trabalho irá acontecer. Sabe que tá tudo sob controle e apenas na segunda-feira ele voltará à rotina monótona do escritório. No início do mês seu salário (médio) cai na conta e o ciclo se inicia.

O homem com tempo trabalha e tem tempo para se divertir, para praticar um hobby ou estudar algo. Sua cabeça é leve, tranquila. Por consequência, sua saúde também. Ele pode meditar ou praticar sua fé sem interrupção.

Esse é o homem com tempo. Ganha um bom salário, não se estressa, não trabalha demais e tem uma vida confortável.

O homem com dinheiro

O homem com dinheiro possui um alto cargo de direção em uma multinacional. Chega ao escritório antes de todos e sai depois de todos. Possui dois celulares. Não tem fins-de-semana e não tem família. “Estou dedicando ao meu emprego” é a sua principal frase (note que não estou tomando partido nem criticando nem um nem outro).

O homem com dinheiro ganha muito bem, porém não tem horário para trabalhar. A qualquer momento e em qualquer lugar seu telefone pode tocar e ele deve parar  o que está fazendo e ir correndo para o escritório ou abrir o notebook. Muita coisa depende dele. Ele não assiste Netflix, não vê futebol nem sai para o barzinho com os amigos. Está sempre trabalhando, pensando no trabalho ou, quando em ócio, descansando para trabalhar mais.

Possui uma conta corrente gorda. Mas só. Não pode fazer uma viagem de 3 dias sem interrupções.

Estressa, cansa e se desgasta demais. Com 40 anos já sofre o primeiro AVC.

Homem com tempo, homem com dinheiro.
Homem com tempo, homem com dinheiro.

O paralelo

As duas personas criadas são claramente muito estereotipadas. Obviamente o mundo não é tão preto no branco dessa forma. O que mais vemos é uma mescla das duas características apresentadas acima.

A prática do exagero é mais didática: o que vale a pena para você? Dinheiro/sucesso ou qualidade de vida/tempo/lazer/descanso?

Por mais simples que possa parecer, essa é uma questão que deve ser discutida e bem pensada. Há pessoas que nasceram para trabalhar, viajar a trabalho, focar, crescer e ganhar muito dinheiro… só que nada mais que isso.

Já outras pessoas trabalham para viver, e não o contrário. O dinheiro é um mero coadjuvante na vida. Um facilitador, nada mais.

O equilíbrio

O que deve ser feito é achar o ponto de equilíbrio perfeito. Trabalhar duro, mas na hora certa. Fazer tudo de forma correta e honesta, mas sem deixar de lado seus familiares, seu lazer, seu descanso.

É necessário trabalhar muito sim, claro. Mas no limite de sua saúde e do seu descanso.

Pense nesses pontos e reflita em qual perfil você mais se encaixa:

  • Pode ficar sem acesso ao celular por 24 horas?
  • Pode ficar sem ler os emails por 24 horas?
  • Pode tirar 15 dias ou mais de férias sem prejuízo para o escritório/empresa?
  • Caso falte um dia no trabalho, terá consequências desastrosas? (pense na ocasião de você adoecer)
  • Você dorme bem?
  • Se estressa com facilidade?
  • Quantos filmes assistiu essa semana?
  • Quantas horas passou com seus familiares na última semana?
  • Você sabe o nome da professora do seu filho?

Enfim, pode parecer meio piegas, mas a vida tá passando e muita gente não está se dando conta. Apenas se preocupa com planilhas, telefonemas, cifras e cifras.

Lá fora é assim?

Uma questão que eu acho necessário pontuar, embora esteja de fora do nicho do artigo é: nos países mais desenvolvidos a distância entre tempo e dinheiro é menor. Explico: um zelador de um prédio comercial, por exemplo (que aqui no Brasil com certeza é taxado de subemprego, e pode sofrer preconceito), em um país desenvolvido e justo, ele consegue ter renda suficiente para viver bem, sustentar seus filhos e ser feliz sem maiores precalços. Além disso, seu trabalho não exige tanto a ponto de estressá-lo. Ele pode automatizar algumas tarefas e diminuir algumas horas por dia de labore. Ganha razoavelmente bem (pois não precisa gastar com saúde, educação e segurança, como no Brasil) e não precisa se preocupar a todo instante em ser algum profissional de sucesso e ganhar muito dinheiro: objetivos principais de qualquer brasileiro.

 

E quanto a você, leitor? Você é um homem com tempo ou com dinheiro? Ou tem a sorte de ter ambos? Deixe aqui nos comentários!

Um abraço!

Fechamento do mês de fev/17: despesas, receitas, aportes e mais

E aí, meu amigo, como vai?

Mais um post de encerramento de mês.

Como diria os Starks: segure-se, pois o inverno está chegando. No meu caso é a fatura do cartão de crédito. Mais detalhes abaixo.

Aperte o cinto.

Principais receitas

No mês de fevereiro eu recebi meu salário diminuído de um terço (como já comentei aqui). Por um descuido pedi o tal de “adiantamento de férias”, o que é um erro. Não façam isso em casa. Com esse adiantamento, recebi a mais em janeiro e a menos em fevereiro, o que deu um bug no meu planejamento.

Apesar de me preocupar bastante com planejar, prever, gerir e controlar, ainda erro muito e tenho que aprender com os erros, para tentar melhorar sempre. Enfim, um equívoco a menos para eu cometer no futuro.

O salário ainda é o carro chefe das minhas receitas. É o porto seguro e acredito que será por um bom tempo. As rendas extras e rendas passivas ainda estão engatinhando.

Principais despesas

Como despesas, mais do mesmo. Aluguel, gasolina, condomínio, internet, et cetera. Tudo dentro do orçamento, nenhuma surpresa que me quebrasse. O único ponto fora da curva foi a emissão de dois passaportes (meu e da dona onça), pois pretendemos viajar em breve. Apesar de eu ter passado os últimos dias do mês bem arrochado, tudo nos conformes por aqui.

Aportes

Acabei de receber meu salário e a maioria das contas foram pagas antes do vencimento. Aluguel, condomínio, etc.

A fatura do meu cartão de crédito veio muito alta, visto que irei viajar e já comecei a me preparar. Essa viagem me tirou um pouco do foco do planejamento e dos aportes, mas é importante salientar que viajar é investir: investir na sua saúde mental, na sua cultura, no seu sossego, no seu descanso.

Fechamento do mês
Fechamento do mês: mal começou e já tô sem grana.

Enfim, devido à viagem, até o momento não poderei aportar em nada, pela primeira vez em quase um ano.
Espero receber alguma renda extra até o final de março para aportar, e assim postar aqui, claro.

FII

O MXRF11 me rendeu R$ 18,40, um pouco a menos que mês passado. Todos meus FII (tenho grana em três) me renderam 1,24% (acredito que seja um rendimento regular para um beginner). Embora eu não vá aportar por enquanto, usarei a renda passiva para recomprar cotas de algum investimento. Ainda não decidi qual, mas acredito que eu vá explorar outro FII diferente.

Ganhos extras

Em fevereiro ganhei uma boa grana de honorários do meu serviço extra (freelancer em TI), além de um presente atrasado de Natal que serviu para fechar o mês sem ter que fazer retiradas. Ufa!

Estudos

Parei o inglês a fim de dar prazo para a fatura do cartão de crédito fechar. Além disso, preciso estudar uma terceira língua, provavelmente o Espanhol, para poder viajar com mais segurança e confiança em breve.

Obviamente, não estudarei as duas ao mesmo tempo. Assim que chegar de viagem retorno ao inglês. Em dezembro de 2017 estarei fluente.

Expectativas para mar/2017

Minhas expectativas não são nada boas. Os contratos de TI só serão pagos em abril (assim espero). Terei que passar o mês de março com meu salário (que é meu carro-chefe) e com uma alta despesa da viagem. De acordo com meu primeiro planejamento, talvez terei de fazer um pequeno saque da poupança. Mas não é certo ainda.

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Fechamento do mês
Cinco reais é muita grana pra mim rs

Fiz dois posts recentemente que renderam boas visitas. Falei sobre por que escolhi os FII e sobre como economizar no supermercado. Caso não tenha lido, veja agora.

Conclusão

O mês de março será fraco de aportes e terei que me segurar bem para não usar a poupança. Além disso, terei alguns gastos extraordinários, como médico, ração de cachorro, entre outros. Mas tudo dentro do planejado.

No entanto, estou muito bem preparado para essa tempestade e tenho certeza que passarei por ela sem nenhum precalço. Afinal, essa turbulência é uma turbulência planejada, pois a despesa maior, a qual me desestabilizou um pouco, foi justamente uma viagem de lazer, ou seja, algo planejado e buscado por mim.

Segue o jogo, não vou preocupar com isso não.

Ainda estamos em março e já notei muita coisa boa acontecendo na minha vida, devido a trabalho duro e foco.
Eu mereço investir um pouco em mim.

Até a próxima!