7 erros que um investidor iniciante comete

Todo investidor iniciante é cercado de dúvidas, incertezas, ansiedade. Por um lado, ele quer aprender mais, quer aportar em títulos bacanas e evitar os ricos. Por outro, como obter a experiência necessária sem arriscar e, no pior dos cenários, ter prejuízo? Quais são os erros que devemos evitar?

O fato é que existe uma escada que deve ser subida lentamente até alcançarmos a independência financeira. Degrau por degrau. Muitos investidores explicam que para se consagrar no mundo das finanças é necessário seguir o passo a passo “Poupança – Tesouro Direto – Outros títulos de Renda Fixa -> Finalmente Renda Variável”. Há quem siga esse modelo, outros não. Não importa. O interessante é você ter consciência que seu patrimônio deve aumentar.

Enfim, tentarei tecer aqui alguns erros que eu cometi no início, ou que já vi e ouvi pessoas cometendo. Não quero dizer que sou um investidor experiente, mas sim que já passei, digamos, da primeira fase. Já subi alguns degraus.

Erro número 1 – Não ter a reserva de emergência

No afã de aportar todas suas economias em um título que trará mais retorno que a poupança, o investidor iniciante joga todas suas fichas em algo com vencimento daqui 10 anos, no caso de uma Renda Fixa, por exemplo.

Não é aconselhável, pois ao primeiro sinal amarelo do orçamento será necessário fazer um saque.

Ter uma reserva de emergência é tão, ou mais, importante que o investimento em si. A reserva de emergência é feita para… emergências. Uma manutenção imprescindível na casa ou no carro. Uma cirurgia inadiável. Um remédio caro. Uma dívida que tem juro alto. Como o nome já diz, é para emergências.

Ela te dá aquela segurança, aquele conforto de poder investir em títulos mais arriscados sem que sua integridade orçamentária seja comprometida.

O valor da RE varia muito, não há um valor ou uma porcentagem correta. Muitos falam em 3 vezes seus gastos mensais. Outros falam em 6. Quem tem que decidir isso é você. Você que tem o feeling da sua vida econômica, você que tem ideia dos riscos que sua vida corre (chances de se acidentar, chances de ser demitido, chances de alguma merda acontecer).

O fato é que a RE deve existir em algum lugar com alta liquidez. A minha está na poupança.

Erro número 2 – Não estudar e pesquisar sobre o título

O bom investidor dá tiros certeiros. Para isso, ele lê os relatórios e faz as análises de cada empresa que investe. E isso toma tempo. Controlar a ansiedade e sentar na cadeira para ler sobre a empresa (ou qualquer título) é indispensável.

Primeiramente, deve-se pesquisar bastante sobre a corretora utilizada. Ver as taxas cobradas, a facilidade de uso e depoimentos de outros usuários. Se necessário, entre em contato por telefone ou via chat online.

No caso de títulos públicos, mas especificamente Tesouro Direto, faça as contas do rendimento descontando inflação e imposto de renda para se ter uma ideia aproximada do valor real que será sacado. Como existem muitos títulos, é interessante fazer essa comparação.

Títulos com maior prazo de vencimento tem a alíquota do imposto de renda menor. Ou seja, quanto maior o prazo, menor o imposto. Mas não é só isso que você deve levar em consideração. Existe o cálculo estimado da inflação no período também, embora muitos títulos paguem a inflação + uma taxa qualquer. Obviamente é tudo aproximado, mas tem que ser bem observado.

Erros
Esse post sobre os erros foi tão bem feito que vale mais do que dinheiro.

Uma boa ideia é começar pelo Tesouro Direto: veja a rentabilidade, a taxa que a corretora vai te cobrar, o período. Comece aportando pouco, para pegar o jeito da coisa.

Erro número 3 – Não ter paciência

A pessoa coloca seu dinheiro em algum título. Um mês depois vê que rendeu apenas 0,2%. Saca e começa todo o ciclo novamente.

A menos que você seja um trader (que é um investidor, espera-se, muito experiente) você deve comprar seus títulos e aguardar, esperar o vencimento (no caso da renda fixa). Os maiores investidores fizeram sua fortuna durante toda a sua vida, não foi de um dia para o outro.

A paciência é uma virtude, em praticamente todos os âmbitos da vida. Na construção de um patrimônio sólido também.

Ter paciência é saber esperar tanto o momento certo tanto de comprar quanto de vender um título. É esperar o timing perfeito. A paciência aliada ao conhecimento são, com certeza, as maiores armas do mercado financeiro. Soma-se a esse bom time o oportunismo e um bocado de sorte.

Controle sua ansiedade, tenha paciência para escolher a melhor corretora de valores (existem dezenas disponíveis, precisará de tempo para escolher a que melhor se encaixa no seu perfil), definir seu perfil de investidor (conservador, moderado, agressivo), formar a carteira que melhor se enquadra no seu perfil, comprar no momento certo e tenha muita paciência também para vender no momento certo (isso se for vender).

 

Erro número 4 – Não ler os conteúdos clássicos

Posso até concordar que é um exagero dizer que se trata de um erro. Não é um grande erro e sim uma pequena falha. É importante e altamente aconselhável ler bastante sobre finanças, mercado financeiro e economia antes de entrar nesse mundo, mas não é obrigatório.

Os livros não vão te dizer em que investir, longe disso. Eles irão te contextualizar, preparar o terreno, te ambientar com as histórias, estudos de caso, situações e os termos técnicos (jargões) do mundo do mercado financeiro.

Já citei algumas boas referências no blog, vou citá-las de novo e acrescentar alguns outros títulos: Os Axiomas de Zurique, Os Segredos da Mente Milionária, Pai Rico Pai Pobre, Rápido e Devagar: as duas formas de pensar. Esses livros citados te dão uma boa ambientada no mundo da economia.

Uma outra dica derivada dessa é sobre os outros conteúdos além dos livros. Existem vários sites bons sobre investimentos na internet. O jornal Valor tem um conteúdo excelente também. O importante é obter conhecimento e se manter informado.

Quando acabar algum livro, ou até mesmo durante a leitura, anote os principais pontos em sua agenda. Isso facilita a memorização do conteúdo valioso que tais bibliografias trazem.

Erro número 5 – Aportar dinheiro que você sabe que vai precisar

Esse é um erro comum, já ouvi de muita gente as presepadas de ter que sacar dinheiro de algum investimento.

É o seguinte, isso é uma questão pessoal. O dinheiro que aplicar você tem que estar ciente que não precisará tão cedo. A reserva de emergência tá aí para te salvar de algum problema repentino. Ela existe justamente para você não precisar sacar de seus investimentos.

Esteja com seu radar sempre alerta. Se sabe que vai precisar de dinheiro em um curto prazo, pegue um investimento curto. Faça o mesmo para os investimentos com prazos diferentes, obviamente. Tenha sempre em mente que esse dinheiro não será sacado em nenhuma hipótese (ou quase nenhuma). O dinheiro investido é parte do seu patrimônio, da sua aposentadoria, da sua futura renda passiva, dos seus dividendos mensais, pense nisso.

Só saque o dinheiro se a situação for crítica. Não saque para qualquer coisa. O ideal é esperar o vencimento, se for títulos públicos, ou deixar a cota se valorizar (no caso de ação).

Obviamente você venderá seu dinheiro se a ação cair muito de valor. Isso não significa saque. Significa troca de título. Venda a empresa X (que caiu muito de valor) e compre da empresa Z.

Resumindo: aplique um dinheiro que não precisará tão cedo, para você esquecê-lo.

Erro número 6 – Atirar para todos os lados

Para iniciar os investimentos deve-se estudar muito. Com o advento da internet isso facilitou demais, claro. Mas quanto mais conteúdo se tem, mais conteúdo ruim se tem. É estatístico.

O segredo é filtrar as informações. Não se resolve nada assinar 10 canais do YouTube, 20 blogs e 10 podcasts se você não terá tempo para ler, interpretar, absorver as informações.

Foque em um nicho pequeno de conteúdo e siga fielmente. É melhor pouco conteúdo com a máxima atenção do que atenção dispersa em muito conteúdo. Mantenha o foco em um numero pequeno de sites, blogs, jornais, canais e podcasts.

Quanto se tem muito conteúdo, você fica perdido, se estressa e não sabe para que lado atirar. Mantenha o foco.

Só tome cuidado com conteúdos tendenciosos. No mundo do mercado financeiro isso existe. Já vi casos de sites publicarem matérias de ações para a mesma se valorizar. Fique atento. Quando citei “seguir fielmente” acima, não quis dizer “faça tudo o que o conteúdo mandar”. Não! Disse para você sempre ler as notícias desse canal, porém pensar bem e fazer seus aportes conscientemente, sacou?

Erros
Paciência é uma virtude! Não cometa o erro da ansiedade.

Faça da seguinte maneira: tire 50 minutos (dois pomodoros) do seu dia para ler e estudar finanças. Ou apenas 25 minutos, quem define é você. O que importa é se manter informado diariamente, para não perder o fio da meada.

Erro número 7 – Não planejar

Acredito que seja um dos principais equívocos que a pessoa comete ao iniciar a jornada rumo a independência financeira.
Não planejar é o mesmo que ficar no escuro. Você não tem metas, não tem objetivos, não tem planos, não tem prazos. É complicado juntar dinheiro apenas por juntar.

Quando você cria metas, você cria também um sistema de auto-recompensa. Exemplo: acumular doze mil em um ano. Isso dá mil por mês (um pouco menos se calcular a rentabilidade). A cada mês que passar e você conseguir acumular os mil reais, é uma meta batida. Você se sentira motivado para buscar a próxima.

Além disso, quando se planeja você vê que seus sonhos podem ser reais e são alcançáveis. Quer viajar para o exterior? Ok, jogue no Excel o quanto você deve aportar no Tesouro Direto (por exemplo) por mês para que, ao final do período, você tenha o montante necessário para viajar, fazer compras e voltar sem usar o cartão de crédito. Interessante, certo?

Planejar é essencial em toda parte da vida, e na hora de se debulhar em cima das suas economias mais ainda. Use o Excel e o Google Docs, e com a ajuda das funções calcule o quanto você pode economizar por mês e quanto isso te renderá por ano, ou por década. Você ficará impressionado com o poder dos juros compostos.

Conclusão

Esse post foi um desafio auto-promovido de bater 2000 palavras em um post. Não consegui. Antes da palavra conclusão a soma foi de 1668. Mas é isso, vivendo e aprendendo, se aperfeiçoando cada dia mais.

Tentei fazer uma postagem mais densa, mais séria. Espero que vocês tenham gostado. Da próxima vez eu vou bater as 2k palavras!

Um abraço